Perdi o sono. Tou vendo Bye Bye Brasil. Descobri que não tem agua na cisterna.
Aproveitei pra ligar a bomba e encher a caixa d'agua, coisas de quem mora em casa.
Precisa existir beleza e poesia em descer pro jardim na chuva de madrugada pra
ligar a caixa d'agua; se não pensar assim voce tem um troço com quem tinha que ligar
a bomba e-não-li-gou. Sinto saudades de apartamento nessas horas. Mas
tudo bem. De madrugada é muito bom responder emails. Mandei uma musica
pra um amigo, outra pra uma amiga, uma foto pra um fotógrafo, foward de um
filme engraçado, uma resposta que é continuação de uma conversa, já são
55 respostas pra lá e pra cá, isso é um lance que eu adoro no Gmail, esses
mails continuos e numerados. já e quase um livro, seria se fosse publicável, não é,
nada de condenável, mas entre lembranças, divagações e alguns absurdos tem muito da
vida de quem não quer ser notado, talvez um trecho um dia, esse que agora digo,
sobre saber que as coisas todas sempre vão ter final um dia mas ainda assim viver
todas elas, intensamente. O fim é da vida. Se existe verdade absoluta essa é a
mudança. Notei que emails escritos assim, no silencio ficam mais longos, enormes
parágrafos calmos de respostas bem certas. Deve ser a alma da gente que de
madrugada desperta. Se bem que silêncio só aqui mesmo. tou olhando aqui agora
e o msn tá uma festa, viu? Tem gente no mundo que não dorme de verdade.
Vou lá falar com eles. Bye Bye esta terminando, Frank Sinatra canta Brasil
abre a cortina do passado, tira a mãe preta do cerrado e Betti Faria usa luzes
coloridas nos cabelos. Elas piscam. Acho que isso resume tudo.
posted by Angela Scott Bueno at 04:18
One little
Take Six. Adoro.
posted by Angela Scott Bueno at 01:47
Tá meio atrasado mas, dia desses, semana passada, foi dia do aviador.
Meu pai era aviador. Era da Panair do Brasil. Comandante Scott.
Depois foi pra Varig e se aposentou por lá. Achava inacreditável e fenomenal
ter alguém tão perto de mim, de parentesco, que pilotava um DC-10. Aquele
bichão enorme que eu pensava ser maior que o maior dos navios do
mundo. Então gosto de coisas que têm avião no meio. Asas. Asas de Saint Exupéry,
apesar do Pequeno Principe, as asas que definiriam o destino do paciente
inglês, desse tipo de asas ou metáforas de asas. Também gosto de anjos.
Dos anjos inventados como os da Biblia Sagrada, aqueles de enormes asas
brancas de penas humanas e dos anjos de verdade como os de Win Wenders.
que olham pra mim do alto de edificios. Poderia falar horas sobre anjos e
aviões, mas acabaria tentando juntar um ao outro, anjos de metal, aviões de
asas brancas, deixando rastros brilhantes, teria que inventar estórias e no
momento só vivo de verdades. Digo, contas a pagar, metas a cumprir, espaços
a conquistar, políticas a debater, coisas que deveriam ser legais mas que atravacam
alguém como eu, que só se sente á vontade perto de pessoas que vêem
cachorros saindo de nuvens. Melhor voltar. Mas o poema aí embaixo, ouvi num filme, o que
ele descreve, já senti essa alegria. Era só isso. Salve o dia do aviador e o nome do
filme era O Homem sem Face.
posted by Angela Scott Bueno at 01:11
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