sábado, maio 03, 2008



Sobre o óbvio. Não desejo fazer parte de nenhuma sociedade, nenhuma agremiação,
turma, confraria, clube, grupo. Não necessito de aceitação ou aprovação mas de
reconhecimento. Tenho amigos esparsos, a maior parte deles circunstanciais.
Me causa estranheza e uma certa repugnância mais do que dois adultos conversando
entre si. Meus encontros precisam ser calmos. Com cada pessoa que falo meu contato
é profundo. Tento evitar esse contato mas é inevitável: em cada um de nós vive aquele mal intransponível,
a alma pequena e ver quase que sempre isso, dói. Não desejo criar raízes e nem
desejo mais encontros que me tragam aprendizados, vivências, resgates, etc. Depois de
um certo tempo, pessoas vão embora, não por vontade. Elas cumprem um papel na
minha vida, eu na delas, umas permanecem por mais tempo, outras menos, assim é.
Então, tenho especial predileção pelo sentimento de desapego. Apesar disso, sou
capaz de entregar minha vida para causa ou pessoa. Sempre esqueço de mim, poucas
pessoas entendem disso, pouquissimas vezes obtive respostas, aprendi que apesar
de estar em contato com toda a humanidade, minha familia na Terra é bem pequena.
Tenho um lugar garantido no silêncio mesmo diante do pavor e da maldade e me
considero uma das pessoas mais felizes que conheço. As vezes é melhor seguirmos
o coração, as vezes o melhor é não colocar o coração na mesa, as vezes é melhor
ouvirmos aquela musica e só.