terça-feira, setembro 03, 2002



Ontem fui encontrar com Marina nos Estados Unidos.
Nada de museus ou coisas úteis como livros ou Billie Holliday.
Fomos pra Nova York fazer um dia mulherzinha.
Eu fui pra New York porque queria conhecer a Tiffany's. Desde ontem que eu só
escuto Moon River, e já que nós estavamos por ali mesmo, aproveitamos para
let's go shopping girls! na 5th Ave.
Depois de gastar os milhares de dolares que jamais terei, fomos
almoçar e, como a oferta é infinita, fomos parar em três restaurantes diferentes.
Convenhamos, depois de tantos almoços, a gente bem que precisava
de um Spa.
Ainda íamos ao Central Park mas não por motivo útil; é que o
Al Pacino mora por ali e, bem, quem sabe se a gente se encontrasse e
se ele se apaixonasse...
Mas não deu tempo, estava ficando tarde, eu tinha que voltar.
Eu precisava estar aqui para a reunião de pais na escola do Fe.
Agora é isso: até final de outubro toda a semana tem palestra pros pais.
Marina ficou. Não sei se em NY, mas Marina continua lá, nos Estados Unidos.
Será que ela vem pra votar?

Esqueci de dizer: o Sting tava lá.



Da lista dos preferidos:

Stomp















"Quem cita a fonte é agua mineral".

Ih, bobão você...



update: você não, ele.



Por falar em gente louca, estou aqui assistindo o Jô e tem um numerólogo
querendo trocar o nome da moeda de Real para Caramuru.
- Vi uma blusa na Forum, mas tá muito cara... 180 Caramurus.
- Olha a minha conta de telefone: 300 Caramurus, pode!?
- Aí, quanto é o mate? É 1 Caramuru tia.
Pior é a rima.












Olha que delícia :))
Eu ia explicar mas acho que só vai piorar.


domingo, setembro 01, 2002



Até. Hoje é dia de chantagens horríveis e disputas inomináveis pelo computer com o Fê.
Eu sempre perco.






























Direito de Resposta :))

Trovarsi



A Marina fez o jogo do currículo com a Angela. Não resisti e fui junto...


Angela: Já dormi numa casa da árvore.
Marina: Ahhhhhh, eu nunca!
Cora: Nem eu!
Angela2: Ah! Foi mágico, perdi um namorado mas valeu a pena.

A: Já beijei vários atores mas nunca na boca.
M: Também.
C: Idem. Aliás, como tem ator por aí, né?
A2: Aff!!

A: Já namorei um francês. Já namorei um italiano.
M: Nunca namorei um estrangeiro, humft!
C: Um americano. Aliás, dois; mas um foi há tanto tempo...
A2: É..Tem tempo, mas eu ainda me correspondo com: Roberrrrto, hehehe

A: Nunca fui expulsa da escola. Mas fui suspensa.
M: Também, fumando no banheiro.
C: Várias vezes; por vários motivos.
A2: É isso aí, suspensas unidas jamais serão vencidas!

A: Já mastiguei hóstia pra ver se era verdade que saía o sangue do Deus.
M: Eu não. Pecado. (Ou já?)
C: Passo: eu sou judia.
A2: A questão não era a hostia, era a verdade, não saiu sangue nada,
me enganaram, depois disso eu só acreditei em ciencia.:)

A: Já roubei nas Lojas Americanas. Parei. Era muito boa.
M: Nunca roubei nas L.A. Uma vez vi uma colegial roubando uma bala e mostrei pra minha mãe.
Eu era bem pequena. Ela me fez crer que aquele era o pior dos crimes. Minha mãe também... francamente!
C: Nem eu. Mas dois meninos franceses amigos meus sim, numa loja em Paris, e foram pegos.
E não sabiam se ficavam com mais vergonha de estarem roubando, ou do que roubavam: maquilagem. Bons tempos!
A2: Desculpe, mas roubei mesmo, baton, lapis de cor, chiclete, parei quando começaram
a me convidar pra ir as Lojas Americanas, eu não queria ser ladra da turma, era de besteira adolescente.

A: Já dancei, mambo, valsa.
M: Nunca...
C: Never.
A2: Era o maior pe de valsa, heheh, hoje engano.

A: Nunca consegui sambar.
M: Nem eu, mas cheguei a ter umas aulas com Dona Juju, a copeira. Na cozinha do trabalho mesmo (hohoho)
C: Nem pensar, sou um desastre ambulante.
A: Nunca abortei.
M: Nem eu.
C: Nem eu.
A: Já sentei ao lado do Sting.
M: Também, pisc*
C: Eu não!!! :-(
A: Já dormi no colo de um desconhecido.
M: Também! Vôo SP-NY. Dormi direto deitada em cima dele, só acordei quando ele me cutucou pra dizer que a
comida ia ser servida. Ele achou normal, sempre tinha ouvido dizer que as cariocas eram "fáceis". Bleargh.
C: Nunca.
A2: Que homem eca esse hein, Ma. O meu foi no Rock'in Rio : ) Depois eu conto.

A: Já senti desejo e ternura pela mesma pessoa.
M: Também já.
C: Eu também.
A2; É. A gente pode considerar que é um privilégio.

A: Já andei de helicóptero com um tio louco, que pousava como se fosse avião.
M: Nunca andei de helicóptero.
C: Eu já andei várias vezes, mas nunca com parentes. Ainda bem.
A2: Esse tio era um barato. Uma personagem. Eu vou falar dele aqui,
meu Barão de Munchausen Tupiniquin.

A: Já fiquei três minutos e cinqüenta e oito segundos sem respirar.
M: Debaixo d'água? Beijando? Se for beijando eu também!
C: Caraca!
A2: Puxa Marina, queria ter visto, que amor, Beleza!!
Comigo foi disputa de folego no Iate.

A:Já ajudei a construir um veleiro.
M: Ahhh....
C: Já ajudei a consertar um motor de lancha em pleno mar, serve?
A2: :))

A: Já participei de um filme.
M: Já fui figurante de novela, sem querer
C: E eu, de um video-clip.
A: Já beijei um sapo pra ver se virava príncipe.
M: Eca!
C: Beijar não beijei, mas já escrevi sobre um sapo que virava príncipe.
A2: Beijei mesmo, lá em Mury. Peguei o sapo agarrei pelas perninhas e dei-lhe o
maior beijo. Não contente ainda fiquei com ele no colo repetindo:
Vira principe aí, ó.. Ai, Ai. Sindrome de Cinderela e umas taças
de vinho a maisss :)

A: Nunca comi caviar ou escargot e jamais comerei.
M: Idem, idem.
C: Como sempre que posso; adoro!
A2: Cora, aquela coisa que sai daquela concha, e os ovinhos da peixinha...
Sem comentários :)

A: Acampei. Muito. Mas nunca consegui montar barraca sozinha.
M: Eu nunca acampei.
C: Nem eu.
A: A primeira vez que entrei no mar tinha seis meses, soube nadar desde sempre, sempre amei o mar.
M: Não sei com que idade entrei no mar pela primeira vez mas também sempre soube nadar.
C: Aprendi a nadar antes de andar: Mamãe me levava pra piscina quando ia treinar. E o mar... bom,
o mar estava sempre perto, logo ali. Até hoje.
A: Já tive um pomar.
M: Já tive um pomar também.
C: Eu não.
A: Já tive um filho.
M: Também, dois.
C: Também. Dois.
A: Já caí de moto e me ralei todinha.
M:Já me arrebentei numa mobilete.
C: Vocês, hein?
A2: È claro que eu estou falando, daqui, do alto, de quem caiu de moto na
esquina de Venâncio com Canal e só foi parar na Ataulfo. Bem uns 400 metros de Angela espalhada pelo asfalto, certo?
Pra quem está, como eu, no Olimpo dos acidentes convenhamos, Marina, cair de mobilete é um vexame!
Apesar de que, voce não está sozinha: a misteriosa Bia Badaud, também caiu :)))
Ai, a que ponto cheguei, contar vantagem com acidente :)))

A: Já tive uma casa.
M: Também. Minha casa tinha sete quartos e uma piscina cheia de escorpiões.
C: Também. Mas menorzinha. Sem piscina. Ou escorpiões.
A2: Eu quis dizer que eu já tive uma casa minha. Eu moro em casa.

A: Já saí do meu corpo.
M: Ahhhh! Esse é meu sonho!
C: Eu sairia se pudesse trocar com alguém. Sharon Stone, por exemplo.
A2: Cora, que ótima idéia :))

A: Aprendi a dirigir com um piloto.
M: Pisc*
C: Eu até hoje não sei se aprendi direito.
A: Já guiei num autodromo. Já fiz a serra de Petropolis no talo, desgarrando no precipício.
M: Uau...
C: Uau...
A: Já fiquei pendurada num precipício.
M: Puxa...
C: Puxa...
A2: Foi. Na fazenda de um amigo. Uns três minutos pendurada num cipò.
Não aconselho
.
A: Já caí de um precipício.
M: Puxa!
C: Puxa!
A2: Foi. Em Mury. Despenquei, a sorte é que tinha o rio embaixo.

A: Nunca saí do Brasil mas conheço algumas cidades do mundo como a palma da minha mão.
M:Já saí do país. NY é meu mapa sentimental.
C: Vivo saindo mas, às vezes, o que me dá mais gosto é voltar. E sonhar com novas viagens.
A:Já li meu destino nas mãos, nos astros, na areia, nas cartas, nas pedras, nos olhos, na aura, na alma,
no passado e no futuro; nunca o presente.
M: Já leu em borra de café? Perdi o interesse por essas coisas.Nunca conheci ninguém que acertasse.
A não ser um rapaz uma vez, que vendia posters do Che Guevara no pilotis da Puc.
Ele olhou nos meu olhos e disse: Você está grávida.
Pediu licença para apalpar meu tornozelo e teve certeza. Fiz exame, deu negativo.
Mas a ciência estava atrasada e ele certo.
C: Fiz meu mapa astral no astrology.com. Tinha que ser, né?
A2: Pô Ma, que legal isso, hein? Em gente assim eu acredito.
Eu já fiz mapa com todo mundo, eu vi um monte de coisas, mas eu não acredito em nada.
Ou melhor, tem uma coisa nessa área que eu acredito, mas isso é outro post.

A: Já fiquei cinquenta e três dias sem sair de casa.
M: Por motivo bom ou por motivo ruim?
C: Quando fiquei doente passei quase duas semanas sem sair.
A2: Motivo ruim.

A: Nunca ganhei em jogo.
M: Ganhei 1350 reais num bingo com o Pratinha :))
C: Nem em jogo, nem em sorteio, nada. Nunca.
A2: Marina que legal, que sortuda!!

A: Já engordei quarenta e dois quilos.
M: Sempre fui magrinha.
C: Ai, que inveja!!! Engordei mais de 20 quilos quando fiquei grávida.
A2: Ai que inveja!!! Engordei 42 quilos quando fiquei grávida.

A: Conheci seis pessoas que cometeram suicídio.
M: Eu era pequena e minha empregada me levou para ver a vizinha da porta ao lado.
Ela estava caída no chão da sala, com o sangue escorrendo do ouvido, nunca vou esquecer.
De noite perguntei do que ela havia morrido e minha mãe chutou uma doença qualquer.
Não foi surpresa pra mim, eu já sabia que os adultos mentiam. Depois, muitos anos depois, meu primo fez a
mesma coisa mas não tive coragem de vê-lo. E no mês seguinte, a Ana Cristina César se jogou da área do seu prédio.
Foi o primeiro enterro que fui, como adulta, representando minha família.
C: Conheci. Algumas.
A: Já tive um acesso de riso num velório.
M: Eu sempre em igrejas...
C: Eu tinha sempre, em qualquer ocasião solene. Depois passou.
A: Já tive um acesso de riso numa peça do Geraldo Tomás.
M: Hohoho (acho que também teria)
C: Bem feito!
A2: : ))))

A: Já tive um acesso de riso na cama.
M: Hummm
C: Hummm
A2: Um dia eu conto. Foi uma das situações mais constrangedoras
que eu passei em toda a minha vida :)

A: Já tive olho no olho com uma onça pintada.
M: Ahhh
C: Já tive sérias discussões com os gatos.
A2: Eu estava em Itamonte, na fazenda de Lucia e Dudu. Foi seguindo
macaco Bugio pelo bambuzal e fiquei ali, olhando pra cima, deitada
no meio da mata, quando eu sentei ela estava há uns 10 metros, sentada
olhando pra mim. Eu olhei pra ela, ela olhou pra mim, eu olhei pra ela e então ela foi embora.
Quando eu cheguei no curral de volta pra sede é que caiu a ficha do que
tinha acontecido.

A: Aliás, no quesito natureza, já corri de jacaré, já fui abraçada por urso, já fui perseguida por coruja,
já fiquei agarrada às cordas do píer enquanto passava o tornado.
M: To começando a achar minha vida sem graaaaça....
C: Eu também, Ma!
A2: ops! Urso foi no circo. Coruja foi em Atafona, foi hilário.
legal mesmo foi o tornado, vai ser um post. Jacaré foi quando eu caí do cavalo,
hahaha, o cavalo se assustou com o jacaré. Foi numa fazenda em Casemiro.

A: Já caí do cavalo.
M: Também, e desmaiei.
C: Só andei em pangarés mansos de pracinha, quando era criança, e olhe lá.
A: Nos verões da minha infância nadei com golfinhos.
M: :)
C: Nadei com golfinhos em Noronha.
A: Jamais imaginei que fosse precisar ir tantas vezes a uma delegacia.
M: Só fui a uma até hoje.
C: Eu também: em Roma, onde me assaltaram.
A2: Isso é triste. Definiu minha vida nos últimos 10 anos. Mas eu não quero comentar.

A: Já perdi a oportunidade de ficar calada.
M: Eu tantas....
C: Eu prefiro não falar nesse assunto.
A2: Hoje em dia eu acho que pior foi ter perdido a oportunidade de falar.

A: Já chorei por compaixão.
M: Muito, muito
C: ihhhhhhhhh, demais!
A: Já ri de desprezo.
M: Idem.
C: Não, nunca. Gostaria.
A2: Cora, é poderoso, rir de deprezo. Acho mesmo que é a saída mais saudável.

A: Já me achei o máximo.
M: Também...Ai, que saudade (heheh)
C: E eu...! Nem me lembro mais da sensação: deve ter sido há pelo menos uns dez quilos.
A2: :))

A: Já me achei.
M: Esse é o ano em que vou me achar. Inshalá!
C: Eu achava que achei, mas descobri que não. Agora estou procurando.
Se alguém souber de um caminho mais curto avise, por favor.

A2: Eu adoro voces duas :))


A Marina tem a página do Joguinho.
Esse jogo ainda vai virar, peça, tese, livro, filme, CD, video, DVD, pesquisa, quer apostar? :))




sábado, agosto 31, 2002




Agora, Ma: se arrebentar numa mobilete? Francamente amiga...Voce podia ter pulado essa parte :)))









Ai Marina, acho que Ana Cristina tá por aí, sabe?
Eu ainda não tinha lido o Blowg hoje e acabei de fazer um post sobre ela
aí embaixo, justamente do trecho sobre suicidio, do meu jogo do curriculo, que eu continuo sem conseguir linkar.
E voce fala sobre ela aí, nos suicídios. Sintonias da web...
Até hoje eu realmente tenho a sensação que eu deveria ter falado.
Mas..
Mas nada. Vamos continuar daqui.

Amor, muito amor, pra mãe dela, pro pai, amigos,
todo mundo que a amava muito, e que deve ter sentido uma impotência, onipresente, onisciente,
visceralmente maior do que a minha.
Nem se fala.












Louise Hay Cards, pra dar uma elevada básica.




E chove em Pendotiba. Chove muito.
E desconfio que nas ultimas duas semanas, estou sendo alvo da
"Maldição da Piscina que Transborda no Final de Semana e Encharca a Grama II, A Ameaça Fantasma".






Uma coisa triste do meu Jogo do Currículo:

"Conheci seis pessoas que cometeram suicídio
Uma delas era poeta e dias antes comprou meu carro".

Eu me lembro da figura dela, entrando no meu apartamento, com olhar de dúvida.
Loura, não frágil mas, fragilizada, até mais, pelo contraste com a amiga que a
acompanhava; morena, alta, de caráter forte, dessas pessoas que olham nos
olhos até pra aceitar cafezinho, (depois eu entendi o porque de toda aquela
necessidade de contato, ela precisava estar muito atenta).
Eu me lembro da atitude dela em relação à amiga que veio comprar
meu carro: protetora, cuidadosa, sempre justificando alguma coisa.
Me lembro de ter olhado pra ela, aquela mulher magrinha, clara e,
em algum momento, ter estabelecido os sinais.
Afinal, eu já tinha passado por situações de suicídio.
Eu percebi nela, aquela aura de limite, que eu já tinha visto antes.
Aquela mulher que enquanto me perguntava sobre a documentação do carro,
me perguntava se eu era feliz? Me perguntava, porque a minha vida era feliz?
Não com essas palavras, mas com essa intenção, meio perplexa com a minha felicidade.
Eu queria ter dito a ela alguma coisa, naquelas vezes que a gente se encontrou.
Queria ter dito, não faça, não pense. Eu me lembro de ter ficado nervosa na
presença dela e a amiga notou meu comportamento. Ela jamais saberia o porque.
Mas como dizer a alguém que veio comprar seu carro que você está vendo a dor
dela e que você sente no fundo de sua alma, todo aquele vazio insuportável,
porque você entra na alma das pessoas sem querer?
E eu queria estar enganada, e eu me convenci que eu estava enganada.
Ela estava tão feliz: - "É meu primeiro carro", e ela tinha morado em Londres,
e tinha amigos, e trabalhava na Globo, então, a maluca era eu, graças à deusa,
que ficava vendo suicídio, na mulher que veio comprar meu carro.
Projeções de minha própria história de vida, das mortes pela qual passei, impotente.
Mas não. A dor dela era real e foi mais forte.
Será que eu devia ter dito: olha, você veio comprar meu carro,
mas você quer tirar sua vida, porque?
Assim na lata, porque, pra dizer uma coisa dessas, não pode ser diferente
não tem como ser diferente.
Donde veio tanta dor, você sabe? Não é melhor descobrir a morrer?
Será que ele ia dizer: eu só vim comprar seu carro, você é louca, é?
Será que a amiga dela ia me atacar, me empurrar contra a parede,
assustada: não fale!?
Será que eu podia ter feito alguma coisa?
Não falar pra não parecer maluca. Eu fiz isso tantas vezes.
Eu carrego isso comigo até hoje. Eu devia ter falado. Hoje eu falo.
Eu queria ter falado. Talvez nem adiantasse, era o mais provável.
Talvez eu passasse por maluca, era o mais provável. Mas, eu devia ter falado.
O carro era um fusquinha cinza, recém-saído de um consórcio.
A poeta era Ana Cristina Cesar.
A história todos conhecem.



















Uma coisa legal: tv budista.
Vi na querida Rosana.








È. Tristeza organica sim. A gente é uma coisa só. A tristeza não parte
só de questões emocionais. Existe tristeza física. A sensação de tristeza
que parte de uma causa física. Uma pessoa sem essa consciência, se não
estiver atenta ao fato de que a gente também pode ficar triste fisicamente,
vai achar que é fragil emocionalmente, que tá tudo bem mas, que ela está triste
não sabe porque, e então vai achar que tem tendência pra depressão, que a
vida não presta, e que ela é uma m de pessoa instável, incompetente
emocionalmente e não pode confiar em si mesma e então "eu vou pra terapia",
etc, etc., o que piora tudo; quando na verdade, tomar um solzinho,
movimentar o corpo adormecido, começar a prestar atenção no que o corpo quer,
no que voce-corpo precisa, resolveria.
Eu estou, nas ultimas semanas, muito contida, por causa de um trabalho.
Fico 53 horas por dia no computer, tem as variações hormonais normais
de uma mulher, enfim, eu tenho estado desatenta de mim mesma, fisicamente.
Em cima disso, teve o final de semana passado, que eu saí pra ir a festa, dançar bastante
e voltei mais cedo pra casa, por causa daquela mulher que me hostilizou, aliás
daquelas mulheres, e depois no domingo, eu saí pra caminhar e encontrei
com a Helô, que me falou da morte do Dodge e então eu parei a caminhada
e voltei pra casa e fiquei deitada imobilizada em vez de colocar a dor pra fora,
ou seja, tudo meio que conspirando pra eu ficar quieta, na maior contenção física.
E eu não me toquei á tempo. Conclusâo? Dor, dor, dor :)
Agora eu tenho que ter serenidade porque organismo não é que nem o
pensamento que se detecta o problema e, pa pum, está resolvido.
Não é pacotinho de energia, é unidade de carbono, demoooora pra
pegar o espirito da coisa :)






Mas o volei feminino perdeu ontem para as chinesas.











O problema de ficar assim, um pouco triste como eu estou, é que eu só sintonizo desgraça.
Tem que ter paciência principalmente serenidade, porque quando é assim, tristeza orgânica,
só o tempo e ficar atenta pra sintonizar coisas melhores.
O mundo não precisa de mais um ser humano canalizando tragédia.







..."111 presos indefesos, mas presos..."

Ontem, dia 30 de agosto, fez 9 anos da chacina de Vigário Geral,
onde 21 pessoas foram mortas pela polícia no Rio de Janeiro.







A Bruxa tá solta no céu. É sempre assim antes da primavera.
Ontem foram 3 aviões. Dois da TAM e um no Acre, lá perto da Larinha.



sexta-feira, agosto 30, 2002






























De volta aos trabalhos.








Essa semana as coisas andaram meio mal paradas por aqui.
Nada fora da rotina, está tudo bem com o Fe, é coisa minha
mesmo, interna. Acho que saber da morte do Dodge, teve uma
repercussão maior do que eu supunha.
Isso, na verdade, não era pra ser dito aqui. Não era pra ser assim.
A minha idéia inicial, ao criar o blog era, em primeiro lugar,
desenvolver meu jogo do currículo. Essa super idéia da Marina, que me
deu o pretexto para começar.
Já vinha me incomodando o fato de conversar com muitas pessoas,
donos de blogs, mas, eu mesma, não ter uma cara na web.
É muito fácil dar pitaco na história alheia quando não se tem a
mesma identidade, no caso virtual, pra também ser avaliada.
Me sentia meio mascarada, sei lá, meio numa situação confortável
de anonimato, que pra mim era muito desconfortável.
Sabe? Anonimato no mal sentido? Era como eu me sentia.
Mas achava que não tinha nada de meu a dizer, a minha vida pessoal é
inexpressiva. Quando a Marina apareceu com o joguinho, eu
pensei, ha! lembranças: eu tenho, taí o blog.
Existem lembranças na minha vida, na vida de qualquer um,
que não é coisa que se possa parar uma reunião de trabalho e dizer,
olha, sabia que eu já dormi numa casa de arvore?
Ou, conversando com uma amiga sobre a vida, sobre a vida de hoje,
encaixar que eu nadava com golfinhos..
Mas foram esses acontecimentos que acabaram dando o tom da minha vida inteira,
e que ficaram perdidos lá atrás, sem significado, por conta das atribulações da
vida de agora, até que, por causa de uma coisa assim, o blog, o jogo,
a brincadeira, venho resgatando e percebendo, que já vivi muitos momentos intensos,
bons e ruins. E vejo que escrever sobre eles, apesar de eu não gostar de escrever,
confere importância, oficializa esses momentos.
(Não gostar de escrever não é verdade, eu detesto mesmo. Não levei em conta
esse mero detalhe quando comecei o blog, agora é tarde..: )
É bom lembrar e é bom saber que eu já vivi coisas assim; até porque,
ao lembrar, me alimento de possibilidades futuras.
Me pareceu que o blog seria a medida certa e veículo exato pra isso.
Mas como diz Meg: - “Blogs tem vida própria, querida, e isso é fato irrecorrível."
Verdade. Tenho o blog há mais de um mês e ainda não escrevi uma linha sequer
sobre as lembranças do joguinho.
Coisas começam a acontecer, gente chega, fala, pergunta, o que lembra
outras coisas, eu redescobri meu gosto por imagens, minha vida é uma trilha
sonora, não poderia deixar isso de fora, lembrei que fui fotografa e não foi por
pouco tempo, foram 8 anos, que amo vidros, e parece que isso tudo faz parte
de uma outra vida. Na verdade era outra Angela. Na verdade existem outras
Angelas na fila.: )
Agora descubro que blogs além de vida própria - pois ele me diz mesmo: agora
vai por aqui, não adianta ir por ali, agora pára- eles levam a gente, querendo
ou não, a aprofundar sentimentos abafados.
Oficializar no blog que Dodge morreu, que eu não percebi a importância
dele na minha vida durante os últimos 26 anos, tem peso infinitamente
maior do que eu simplesmente pensar; ah! Dodge morreu.
Virou fato, escrito, não é só pensamento, lembrança. E agora eu vou ter
que lidar com isso.
Quem fez com que fosse dessa forma foi o blog, e eu dei uma travada.
Não estou sabendo lidar muito bem com essa exposição.
Esse blog é meu, mas tem certas coisas que eu não quero tornar publicas.
Mas o blog é publico. E eu percebi que no universo blog, as pessoas sabem.
Se eu estiver bem, postando abobrinha, porque estou em fase de abobrinha,
todo mundo vai entrar na abobrinha numa boa, e a gente vai se divertir
muito. Mas, se eu estiver postando abobrinha para tapar buraco,
porque estou sem assunto ou porque não quero assumir uma dor,
todo mundo vai perceber que estou fingindo.
Não dá pra escamotear no universo blog.
Isso é engraçado porque na vida real, dá pra escamotear numa boa. : )
Acho que esse é mais um divertido mistério, desse inconsciente coletivo
maluco, que permeia o que aparece na tela do monitor de cada um.
A gente sabe.
Então pra quem me escreveu falando das abobrinhas, eu tenho a dizer que
é verdade: eu tava enchendo lingüiça. Prometo postar abobrinha agora só
quando estiver em fase de abobrinha, quando estiver como agora, vou
ficar calada ou escrever sobre o que estou sentido dentro das minhas possibilidades.
Mas no momento, o que eu quero mesmo mesmo, é escrever sobre meu jogo do currículo.
Ver se dessa vez eu consigo.







[i'm arwen!]
I am Arwen Undomiel, daughter of Elrond and Celebrian of Rivendell.
I gave up my immortality for love, but it was for the hottest Ranger-King of Middle Earth.
In the movie, I'm played by Liv Tyler.
|| Which Lord of the Rings Elf are you? @ X.com ||









quinta-feira, agosto 29, 2002




Agora que eu tenho blog, posso me dar ao luxo de fazer homenagens públicas : )
Essas flores são para a mãe de minhas irmãs, que faz aniversário hoje.

É, mãe das minhas irmãs; a minha família também é moderna :))








B., parabéns, muitos anos de vida!!
Saiba que, apesar da gente se ver pouco, tenho muito carinho por você,
por ter sido acessível e sempre ter facilitado o convívio com minhas irmãs.
Prestando atenção, o que foi o mais importante.

Muitos beijos. Fique bem,
Estou aqui se precisar. :))


quarta-feira, agosto 28, 2002



Olha o que eu recebi de presente de Rossana Fischer:





Não é lindo?
Não tem que ser muito especial nessa vida, pra fazer uma coisa dessas,
assim, só pra ser atenciosa, com alguém que ela conhece só de web?

Voce é muito amorosa, Ro, voce é tudo de bom.

Não leva a mal não, mas, a sensação de me sentir especial é inevitável :))
Tô com direito adquirido de ficar insuportáaavel hoje.: ))

Aibeguiiórpardon...